Fazedores de sonhos e diversões

Por Talita Chaves

Jaderson Gonçalves Nobre, 35 e Irlana Melo Nobre,25, conhecidos popularmente como Chico Tripa e Maria Chiquinha é um casal que trabalha junto há quatro anos com a arte circense. Há um ano e dois meses criaram o Circolando Animação, coletivo onde trabalham de forma pedagógica e educativa, que traz a vivência do circo para crianças e adultos. Em seus espetáculos realizam brincadeiras e animações, além de ensinar a arte da acrobacia, malabares, bambolê, claves e outras modalidades que o circo abrange. "Não trabalhamos de forma espalhafatosa, trabalhamos de maneira mais sutil, mais delicada, pois estamos lidando com crianças que às vezes se assustam e precisamos reverter isso, mostrando através de aulas, a magia presente no circo", declara Irlana.

Foto: Arquivo pessoal

Irlana e Jardderson caracterizados de Maria Chiquinha e Chico Tripa em uma apresentação para crianças.

Irlana e Jaderson caracterizados de Maria Chiquinha e Chico Tripa                        

Jaderson já tinha ingressado no curso de Filosofia, na Universidade Estadual do Ceará, UECE, quando conheceu o universo do circo. Entre um intervalo e outro das aulas, se direcionava ao pátio da universidade para dar continuidade aos seus treinamentos. Ele buscou na graduação e mestrado em Filosofia uma fonte de trabalho, em que pudesse obter sua renda, seu sustento. Buscou um meio de brincar e se divertir e acabou, mesmo com as dificuldades encontradas no percurso, ingressando de vez no universo circense
"Hoje eu me divirto com a filosofia e obtenho meu sustento através da arte circense periférica, pois o artista está tendo mais oportunidades do que o filósofo", afirma o malabarista.
Em um desses treinamentos com seus malabares pelos pátios da UECE, Jaderson conheceu Irlana Melo, que mais tarde se tornou sua esposa. Graduanda de letras, Irlana, desde criança, gostava da cultura do circo, mas sua mãe sempre a privava de participar. E foi nas das aulas de malabares com Jaderson que esse carinho pela arte foi ganhando espaço, consolidando um amor ainda maior por seu instrutor.
A partir de vídeos no youtube, encontros com outras pessoas de diversas culturas e naturalidades, também praticantes dessa e outras modalidades circenses, eles foram aprimorando as suas técnicas.
Hoje o casal trabalha com animação de festas, levando em seus espetáculos atrações como Maria Chiquinha e Chico Tripa, desenvolvendo oficinas e brincadeiras para o público de várias idades. Afinal, ninguém é tão adulto que não possa entrar na roda da diversão. Eles também realizam aulas teóricas e práticas sobre a arte de circo em escolas pela cidade. Ensinam malabares, claves, coordenação motora e provam que qualquer um pode praticar e exercer a linguagem circense".

Foto: Arquivo pessoal

O casal escreve pequenas peças para abordar em seus espetáculos, unindo a cultura do circo ao regionalismo cearense, utilizando brincadeiras, autores, figuras e personagens tipicamente cearenses em suas produções. Uma das primeiras peças escritas foi o "Junta tudo e não joga fora". A ideia é reunir objetos e artes trazidas para aquele local e começar a interagir com as pessoas. O casal relata que outro projeto vem sendo desenvolvido. É o "Choveu ou não choveu, mas teve festa no sertão", em que buscam reunir o teatro de boneco com a arte circense, contando a história de um casal que viaja pelo mundo, mas decide voltar para o sertão e, nesse retorno, encontra objetos, autores, personagens, figuras típicas, capazes de explicar como o cearense pensa e age.
Elementos do circo na sala de Jaderson e Irlana
O casal participa de encontros de circo em Fortaleza, na Praça da Gentilândia, onde, há doze anos, simpatizantes, praticantes e profissionais se reúnem todas as terças-feiras, para trocar experiências. Lá eles promovem o "Palco Aberto", que acontece nas primeiras terças-feiras de cada mês. Janderson e Irlana também participam de eventos  e concursos culturais promovidos pela prefeitura, teatros e centros de eventos espalhados pela cidade como Dragão do Mar, CCBJ, entre outros. Há seis anos, realizam o Encontro Anual da Convenção de Circo Malabarismo e Artes de Rua.
Os dois também são participantes de eventos e concursos culturais promovidos pela prefeitura, teatros e centros de eventos espalhados pela cidade como Dragão do Mar, CCBJ, entre outros. Eles também promovem há seis anos o Encontro Anual da Convenção de Circo Malabarismo e Artes de Rua, que neste ano, contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza na disponibilização do espaço, transportes e passagens para convidados, além da divulgação do evento,

Foto: Arquivo pessoal

Palhaços caracterizados em uma festa de aniversário 

O amor é nítido pela profissão autônoma, mas as dificuldades dessa autonomia são recorrentes. "O financeiro é uma inconstância para o artista autônomo. Não saber se algum dinheiro vai entrar no mês que vem ou quanto vou receber no ano que vem é uma das principais dificuldades", relata Jaderson. A falta de apoio por parte da prefeitura e as burocracias presentes nos editais no ato de inscrição são itens apontados como negativos e dificultosos por Jaderson. " A prefeitura mal lança edital voltado para essa classe artística e quando lança vem com milhões de burocracias."
Nem toda festa traz diversão a todos, nem toda animação arranca risos, nem todo espetáculo termina em aplausos, nem todas as crianças entram na roda da brincadeira ou largam seus eletrônicos para entrar na magia circense. O artista não alcança todos, nem tampouco pouco satisfaz ou mexe com a plateia o tempo todo, mas a plateia tem poder sobre o artista.
Até mesmo a plateia formada por crianças pode entristecer o artista com suas ações, atitudes muitas vezes tomadas pelo impulso ou falta de limites. "Já aconteceu de entrarmos para nos apresentar e não receber aplauso algum ou de cara receber uma vaia sem ao menos o espetáculo começar, ou simplesmente uma criança dizer que você está atrapalhando o joguinho dela. Certa vez um menino agarrou minha perna de pau para eu cair no chão, outro me deu uma cuspida porque derrubei uma bolinha no chão", relembra Jaderson.

Foto: Arquivo pessoal

O brilho no olhar, carinho e amor estão presentes em cada relato nessa entrevista. Viva a arte circense! Viva o amor ao circo e a tantas pessoas que se dedicam noite e dia para levar, alcançar crianças, adolescentes e adultos desprovidos dessa cultura tão mágica, única, singela, inocente e principalmente, periférica.

Performance com bambolês e claves                                          

Mas os momentos bons superam tudo. "Nada satisfaz mais do que um sorriso de uma criança, a entrega de corpo e alma delas nas brincadeiras, os abraços delas no final das apresentações, o contato delas com a gente, o pedido para que as ensine a movimentar os objetos, os laços adquiridos no fim de cada apresentação, as gargalhadas e, principalmente o contato dos pais que nos revelam que seus filhos passaram a ser menos desinibidos por nossa causa, que não sentem mais medos de subir ou arriscar algo depois que nos conheceu", relata Irlana.

Serviço

Rua Djanira Pinheiro Ellery
61760000 Eusébio, Ceara, Brazil
fone: (85) 98847-1731
Facebook: Circolando Animação- animação de festa infantil