Bastidores de um espetáculo

Por  Ariella de Sá & Deusdedit Neto

As luzes se apagam e a música de fundo animada para. As cortinas se abrem assim como os sorrisos do público presente. O espetáculo começou. “Senhoras e senhores sejam bem-vindos ao Le Cirque – África”, saudava o alto-falante do circo. A primeira apresentação começa de forma entusiasmante. Além do som ambiente, as palmas davam ritmo à dança que era interpretada no palco. Entre um movimento e outro era possível ver o deslumbre no olhar de cada um que estava nas arquibancadas.
Foto: Matheus Abraão 

Sou um parágrafo. Clique aqui para adicionar e editar seu próprio texto. É fácil.

A casa não estava lotada. As cadeiras vazias eram maioria, mas quem estava ali, sentado, de frente para o palco, presenciou a mistura do tradicional com o moderno que o espetáculo ofereceu. “O circo precisa acompanhar as evoluções sociais e tecnológicas. Tentamos trazer para a arte circense o que as outras artes têm de melhor”, fala Luís Stevanovich, de 55 anos, proprietário do Le Cirque, sobre a presença dos bonecos gigantes de King Kong e Bumblebee, personagens consagrados nos cinemas. 
Luís Stevanovich herdou a arte circense de seus pais e repassou a tradição para o filho Stevan.
Nos bastidores, a correria. Enquanto um número é apresentado, o próximo precisa estar preparado para entrar em cena. Tudo é feito harmonicamente, subsidiado pelas longas sessões de treinamento que antecedem cada espetáculo. Quem acaba de se apresentar, deixa os holofotes do palco com semblante de cansaço, mas o sentimento de dever cumprido é a presença mais marcante.  “Os artistas, durante o espetáculo, precisam estar concentrados para se apresentarem. Não pode ter bagunça. Regra de espetáculo, vestimenta, maquiagem, treinamento. Ele é um atleta, um artista. Para a coisa andar, é preciso ter disciplina”, pontua o proprietário. 

Mas um personagem que é sinônimo de indisciplina precisa estar pronto para qualquer situação durante o espetáculo: o palhaço. Sua principal função é divertir e para isso ele foge do convencional e traz o público para dentro do show. “O palhaço é o coringa. Ele sempre precisa estar pronto para subir ao palco. A maior alegria dele é ver o circo pegar fogo, mas não é de incêndio, é de entusiasmo e alegria. Nosso diferencial é a alma”, garante Luís. 

Foto: Matheus Abraão 
No circo, manipular o fogo é algo vibrante. O artista mostra suas habilidades e resistência ao manusear a chama.

Muitos dos que estão ali aprenderam suas tarefas na marra, vestindo apenas a vontade de fazer parte de algo grande e belo. Outros tiveram menos dificuldades já que viveram o circo desde a infância, e aperfeiçoaram suas técnicas com auxílio dos pais. “O circo é uma escola de vida. Você desperta a fantasia, a magia do colorido, de valorizar e divertir a família. O circo é a magia que você tem que amar”, afirma Stevanovich que também herdou o amor pela arte circense dos pais. 

O empresário, inclusive, repassou sua admiração pelo picadeiro ao seu filho. Stevan, 23, cresceu dentro do circo e fez da peregrinação circense um estilo de vida. Entusiasta do Globo da Morte, ele desmistifica conceitos e garante que sua criação não diverge das demais.

“Levamos uma vida normal. Estudamos e vamos à escola. A única diferença é que moramos e trabalhamos desde pequeno no circo. Gosto muito da aventura. Amo fazer o que faço. A energia é incrível”, revela Stevan.
Por fim, quando as luzes novamente se apagam, mas desta vez sinalizando que o show havia terminado, o sentimento de agradecimento vem à tona. Tanto artistas quanto espectadores saem com sentimento de dever cumprido. Para aqueles que viram o espetáculo circense pela primeira vez, o deslumbre. Para os viajantes já acostumados, o reencontro com o belo. Dias após a matéria ser redigida, o circo deu um até logo à cidade. No estabelecimento que serviu de casa por alguns dias, restou o espaço vazio; entretanto, o ambiente vago não é o que reflete na imaginação dos que viram o show.